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O outro homem no pódio

Quando Tommie Smith e John Carlos fizeram uma saudação do movimento Black Power no pódio olímpico em outubro de 1968, uma onda de choque se propagou pelo mundo do esporte. Mas o que aconteceu com o outro homem na plataforma?

Em 1968, dois negros americanos, Tommie Smith e John Carlos, ganharam as medalhas de ouro e bronze na final dos 200m nos Jogos Olímpicos do México. Na entrega das medalhas,  eles usaram seu tempo no pódio para protestar com uma saudação do movimento Black Power – que lutava pelo fim da opressão racial, mas que também era polêmico por promover auto-suficiência política e econômica.

A fotografia dos dois homens com suas cabeças abaixadas e seus punhos cerrados em luvas de couro preto se tornou uma das imagens mais marcantes do século 20.

O gesto causou a expulsão da dupla da equipe olímpica dos EUA. Mas o que aconteceu com o outro homem, branco, mas solidário ao protesto? As consequências para ele acabaram sendo tão significativas quanto para os outros.

Como aconteceu

Os três estavam esperando para a cerimônia de vitória quando o australiano Peter Norman descobriu o que estava prestes a acontecer. Ao ver que John Carlos havia esquecido seu par de luvas pretas, foi Norman quem sugeriu a ele usar uma das luvas de Smith. Dessa forma, cada um dos atletas ficou uma luva diferente na mão.

Durante a carimônia, Norman se juntou ao protesto de sua própria maneira: usando uma medalha do Projeto Olímpico para os Direitos Humanos, um projeto criado pelos membros do movimento Black Power.

Norman sentiu imediatamente o peso de suas ações. Visto como um criador de problemas, foi banido da equipe olímpica australiana. Apesar de obter qualificação 13 vezes e ser o quinto no mundo, ele não foi enviado para os jogos de Munique, em 1972. Foi a primeira vez que a Austrália não tinha um corredor nos 200m nas Olimpíadas. Norman se aposentou logo depois sem ganhar outro título.

Esperança em Sydney

O divórcio e problemas de saúde aflingiram Norman nos anos seguintes. Ele sofreu de depressão, passou a beber muito e se tornou viciado em analgésicos após uma internação prolongada. Durante esse tempo, ele usou a sua medalha de prata para segurar portas.

Uma das esperanças que ele tinha era a de ser bem acolhido e reconhecido nos Jogos Olímpicos de Sydney. Como seu sobrinho diz: “Então, sua vida teria completado um círculo”.
Ele estava prester a se decepcionar. Em 2000, Peter Norman foi único australiano medalhista a ser excluído da volta de honra na abertura dos Jogos, apesar de seu status como um dos melhores velocistas da história do país de origem.

Mas a equipe de atletismo dos EUA decidiu não ignorar esta omissão. Eles convidaram Norman para ficar em seus alojamentos na vila olímpica durante os jogos. Em uma reviravolta de expectativas, o campeão dos 200m Michael Johnson o abraçou e disse: “Você é meu herói”.

Em 2004, o sobrinho de Norman começou a trabalhar em Salute (Saudação), um documentário que, pela primeira vez, uniu os três atletas em uma sala para contar sua história do dia no México.

Dois anos depois, Peter Norman tinha acabado de ver o filme pela primeira vez e estava prestes a embarcar em uma turnê de divulgação para os EUA quando teve um ataque cardíaco e morreu. Tommie Smith e John Carlos, com quem ele sempre manteve contato, viajaram a Melbourne para carregar o caixão em seu funeral – e se lembrarem do amigo.

Lugar vazio

“Peter não tinha que usar a medalha que demos, ele não era dos Estados Unidos, ele não era um homem negro, ele não tinha que sentir o que senti, mas ele era um homem”, diz Carlos .

No documentário Salute, o atleta ausente reflete sobre seu legado:

“Se não fosse por aquela demonstração naquele dia, teria sido apenas mais uma medalha de prata que a Austrália ganhou. Ninguém jamais ouviria falar de Peter Norman.”

Este post é versão de uma matéria da BBC de 2008. Como a BBC Brasil não produziu uma tradução do texto, disponibilizo a minha aqui. Você pode ler o texto original neste link.

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Casa na Árvore

Quando criança eu era louco para ter uma casa na árvore. Neste sentido, ainda não deixei de ser criança.

Esta casa na árvore foi construída pelo japonês Takashi Kobayashi.

A casa foi construída para ser utilizada em uma campanha publicitária nas televisões japonesas. Kobayashi-san construiu um ninho de pássaro em formato oval, tendo como acesso uma escada em espiral. No fim das contas, o projeto saiu por 38 mil dólares.

Imagens via Ladders Online.

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Mudanças

A única certeza da vida é a mudança. Tudo que é sólido pode derreter – até se tornar gás. Estanho.

Para ganhar confiança e não perder nosso chão nos agarramos a crenças, valores e metas. Porém, até aquilo que escolhemos para nos dar apoio pode se esfarelar e ir embora com o vento. Rápido e sem aviso, qualquer aspecto da vida pode mudar. Choque de uma realidade que éramos incapazes de perceber ou mudança repentina?

O que fazer quando sentimos que até o chão se mexe – quando nada mais é firme e até os pés começam a afundar?

Tudo que é e já foi vivo teve que se adaptar para sobreviver. Se nosso porto seguro se foi, haveremos de procurar outro – ou criar um novo dentro de nós mesmos.

Se o mundo muda, enão mudemos mais rápido do que ele.

Questões filosóficas para rachar a cabeça! – Parte 2

facelessVamos continuar a série questões filosóficas para rechar a cabeça! O post de hoje é a segunda parte, a pergunta é: você é a mesma pessoa que começou a ler este artigo? A primeira parte é devemos matar pessoal saudáveis pelos seus órgãos? Só para lembrar, essa série é baseada na matéria da BBC Magazine Four philosophical questions to make your brain hurt. Vamos lá!

Imagine (ou pegue) uma foto sua de oito anos atrás. O que faz você ser aquela pessoa? Você pode dizer que você é composto pelas mesmas células de oito anos atrás. O detalhe é que a maior parte das suas células são substituídas a cada sete anos. É possível também argumentar que você é um organismo, um ser humano único, e que a estrutura dos organismos sobrevive além da reposição de células.

Mas você é realmente um ser humano por completo? Se cirurgiões trocassem o cérebro do Bush pelo seu, com certeza o sósia do Bush na Casa Branca seria você. Logo é tentador dizer que você é um cérebro humano, não um ser humano.

Mas porque o cérebro e não outra parte, como o baço? Podemos presumir que o cérebro é que tem o suporte de seus estados emocionais: seus medos, esperanças, crenças, valores e memórias. Então parece que o realmente conta é esse padrão emocional, não o cérebro que o carrega. Portanto podemos dizer que ao invés de implantar o seu cérebro no Bush, os cirurgiões poderiam tê-lo escaneado, digitalizado suas informações, apagado suas memórias e depois inserido os dados no cérebro (também com as memórias apagadas) do Bush. O indivíduo na Casa Branca seria novamente você.

Essa perspectiva traz um problema: se os cirurgiões inserirem as informações em dois cérebros com as memórias apagadas? Se as informações forem inseridas na cabeça do Bush e do Lula, por exemplo, você estaria na Casa Branca ou no Palácio da Alvorada? Não há nada que dê embasamento para uma escolha sensata, pois uma mesma pessoa não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo.

No fim das contas, nenhuma tentativa de dar sentido à existência continuada através da passagem do tempo funciona. Você não é a mesma pessoa que começou a ler este artigo.

O tema do próximo post da série vai ser: há realmente um monitor na sua frente?

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Represa diplomática

hidreletrica-de-san-francisco

Imagem da construção em release no site da Odebrecht

Uma empresa brasileira realiza uma obra. A construção apresenta problemas. O local é militarizado. O Eqüador diz que não vai pagar de US$ 243 milhões. O Brasil chama seu diplomata de volta.

Não estava acostumado com esse tipo de situação na América do Sul, mas pelo visto está ficando mais comum. Durante minha infância e adolescência o noticiário do editoria mundo nem falava sobre a parte sul do nosso continente. Era como vivessemos num local de paz absoluta ou de conformismo visceral. Mas será que agora o imperialismo fala português?

Não sei quais são os principais jornais do Eqüador, mas a convocação do diplomata brasileiro Marques Porto é destaque no EL Comercio, Hoy e La Hora.

Como esse blog fala de inforação, vamos verificar se há algum tipo de contradição.

Segundo o site da Odebrecht, a usina era responsável pela geração de cerca de 12% da energia do Eqüador. A obra é diferente das hidrelétricas que estamos acostumados a ver porque a maior parte de sua estrutura é composta por uma rede de túneis.

A construção foi inaugurada em janeiro de 2007 e deixou de funcionar cerca de um ano depois.

Pela redação dos jornais notei que a notícia foi mau recebida no Eqüador. Ninguém gosta de saber que seu país vai perder investimentos, ainda mais quando falamos de um terço deles. Mais ainda, uma possível desaceleração econômica levaria a diminuição em investimentos publicitários.

A imprensa equatoria aponta que a hidrelétrica de San Francisco sofreu graves danos. Já a versão que tivemos acesso pelos meios de comunicação no Brasil afirma que a construção estava em manutenção por ‘problemas pontuais’.

Daqui da Brasil é difícil chegar a uma conclusão, mas pela gravidade da decisão do governo equatoriano e pelo fato da hidrelétrica não estar funcionando, sou forçado a acreditar que realmente aconteceu algo de grave.

Sobre a convocação do diplomata brasileiro Marques Porto, acredito que a decisão foi motivada pelo uso político de Rafael Correa sobre a situação.

Acho melhor não entrar no mérito da nossa cultura de obras superfaturadas e malfeitas. Mas vale uma pergunta: será que essa cultura virou nosso produto de exportação?

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Questões filosóficas para rachar a cabeça! – Parte 1

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Eu adoro crises existenciais. Sempre saio com uma nova observação sobre o mundo após elas. Estou muito longe de ser um filósofo, mas acredito que todo mundo tem o direito de dar seus pitacos pois como diria Pascal “zombar da filosofia, é na realidade, filosofar”.

Graças à crises existenciais de grandes filósofos podemos nos debruçar sobre questões que nos fazem duvidar até da própria sombra. Literalmente.

Em homenagem ao Dia Mundial da Filosofia (19/11), a BBC Magazine trouxe uma lista chamada “Quatro questões filosóficas que vão fazer sua cabeça doer“. Já havia lido sobre três delas, mas em todos os casos a matéria trouxe novas angulações para mim. Vamos dar uma olhada:

1 – Devemos matar pessoas saudáveis pelos seus órgãos?

Vamos supor que Bill é um homem saudável sem família ou entes queridos. Haveria algum problema em matá-lo sem dor para que seus órgãos pudessem salvar cinco pessoas?

Vamos considerar outro caso: você e mais seis pessoas são seqüestradas. O seqüestrador diz que se você matar um dos reféns todos os outro cinco serão libertados. Se você não fizer o que ele manda, todos morrem.

Existe alguma diferença entre este e o caso anterior? Nas duas situações mata-se um para salvar cinco. Vamos dar uma olhada em mais uma colocação: você conduz um trem e pode observar que há cinco pessoas amarradas na linha-férrea. Você tem a opção de desviar para um outro trilho, onde há apenas um.

Que caminho tomar? Desviar? Então porque não matar o Bill?

Que princípios lógicos podem ser adotados para resolver estas questões? Matar nessas condições é certo? Se não, por que?

O próximo post vai trazer a segunda pergunta: Você é a mesma pessoa que começou a ler este artigo?

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Sobre a opinião

crepusculo

Descrever a realidade é como querer imprimir a minha visão de mundo, individual, para a coletividade. Simplesmente não me parece certo. Minha visão é moldada pelas minhas experiências de vida, o que me impede de realizar um julgamento completamente justo da realidade. Da mesma forma eu não acredito que alguém seja capaz de chegar à dita imparcialidade. Isso me leva a ter uma certa dificuldade com o embate de opiniões, pois enxergo todos os envolvidos em debates como errados, como se a verdade absoluta estivesse além da compreensão daqueles que buscam apenas imprimir sua visão de mundo para os outros.

Para completar adotei a máxima do ‘ninguém liga para o que eu penso’. Ainda que isso não seja verdade em todas as situações, sempre parto deste pressuposto. Só abro precedentes para quando me é solicitado o contrário.

De certa forma tudo que acabei de escrever é, na realidade, opinião. Se tudo que eu vejo é compreendido pelos meus sentidos, logo a minha compreensão já é única porque meus sentidos foram condicionados a compreender o mundo da forma que faço hoje em dia. O que leio, vejo e sinto é diferente, ainda que o objeto contemplado seja o mesmo. Minhas ações em relação ao objeto são diferentes das outras pessoas por causa da opinião que formulei para interagir com o objeto.

Acabei correndo atrás do próprio rabo, quem sabe um dia eu chego em uma conclusão?

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Dragões e sociedade

Na China o dragão é um símbolo de boa sorte

Muito mais que simples mitologia os dragões são capazes de ajudar a entender um pouco mais sobre nossa própria sociedade. Presente em várias culturas ao redor do mundo, como a nórdica, celta, persachinesa, coreana e japonesa. Temos até alguns exemplares na culturas americanas, como o Coatlcue e a Iwanci.

Mas de onde será que vem esse nosso interesse sobre essas criaturas? Neste post encontrei uma reflexão bem interessante sobre o assunto.

Basicamente: nas culturas mais ligadas à valores naturais como a celta, oriental e americana o dragão representa valores como a fertilidade e sorte. A fertilidade da terra era essencial para a sobrevivência. Em culturas com mais ligadas à vida em socidade de forma utilitarista o dragão passa justamente a personificar a natureza a ser dominada.

No caso das culturas européias o cristianismo trouxe mais uma forma de encarar a figura: trepresentava o fim do paganismo e a ascenção do credo monoteísta. Mais ainda, o dragão é uma serpente, que remete à ligação carnal com a terra (no sentido fálico mesmo) e ao pecado original.

Na mitologia nórdica Siegfried prova o sangue do dragão Fafnir, o que lhe permite compreender a fala dos pássaros

Ainda sobre o ideal de dominação da natureza encontramos os dragões estampados na capa dos jogos de RPGs para justamente passar a idéia de “grandes desafios a serem vencidos”.

Nessa “viagem” deu para compreender como a mitologia permite compreender melhor os valores de diferentes culturas.

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LHC e o fim do mundo

O desconhecido causa medo. Em algumas pessoas dá um certo frio na barriga. Em outras é motivo para criação de verdadeiras cruzadas.

Primeiro foram os eclipses solares, depois tivemos a passagem do cometa Halley, virada do ano 2000 e o Nostradamus. Agora o “assunto do momento” na blogosfera é fim do mundo causado pelo LHC.

As pessoas estão apenas com medo do que essa máquina pode descobrir. Têm medo que as informações abalem suas crenças em ideais que justificam e dão razão à sua existência.

Parece cruel, mas um dia temos de aprender que Papei Noel Não existe.

Para descontrair, que tal dar uma olhada em vídeo explicando como funciona o LHC.

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Chrome: primeiras impressões

Como usuário estou me acostumando a encarar aquela “poke-bóla” como um navegador de internet. Pode não parecer, mas me tornei tão acostumado com a raposinha de fogo (que descobri se tratar de um panda) que meu olho nem responde direito procurar o ícone do navegador na barra de tarefas!

Entre as novidades a que mais gostei foi a página inicial, simplismente genial. Espero que a nova função aposente de vez a about:blank.

Como desenvolvedor tive alguns probleminhas com o uso de linhas horizontais <hr />. O site que estou desenvolvendo usa CSS para formatar as linhas, o código era

.hrcol{
margin: 0 10px;
color: #fff0ab;
width: 220px;
}

e teve de mudar para: 

.hrcol{
margin: 0 10px;
border: #fff0ab solid 1px;
width: 220px;
}

Ou seja: linhas não são formatadas apropriadamente no CSS do Chrome. Tive de colocar uma “linha na linha” para que ela ficasse do jeito que eu queria.

Fora isso, só felicidades com esta nova pérola do software ^_^/~~

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