Vamos continuar a série questões filosóficas para rechar a cabeça! O post de hoje é a segunda parte, a pergunta é: você é a mesma pessoa que começou a ler este artigo? A primeira parte é devemos matar pessoal saudáveis pelos seus órgãos? Só para lembrar, essa série é baseada na matéria da BBC Magazine Four philosophical questions to make your brain hurt. Vamos lá!
Imagine (ou pegue) uma foto sua de oito anos atrás. O que faz você ser aquela pessoa? Você pode dizer que você é composto pelas mesmas células de oito anos atrás. O detalhe é que a maior parte das suas células são substituídas a cada sete anos. É possível também argumentar que você é um organismo, um ser humano único, e que a estrutura dos organismos sobrevive além da reposição de células.
Mas você é realmente um ser humano por completo? Se cirurgiões trocassem o cérebro do Bush pelo seu, com certeza o sósia do Bush na Casa Branca seria você. Logo é tentador dizer que você é um cérebro humano, não um ser humano.
Mas porque o cérebro e não outra parte, como o baço? Podemos presumir que o cérebro é que tem o suporte de seus estados emocionais: seus medos, esperanças, crenças, valores e memórias. Então parece que o realmente conta é esse padrão emocional, não o cérebro que o carrega. Portanto podemos dizer que ao invés de implantar o seu cérebro no Bush, os cirurgiões poderiam tê-lo escaneado, digitalizado suas informações, apagado suas memórias e depois inserido os dados no cérebro (também com as memórias apagadas) do Bush. O indivíduo na Casa Branca seria novamente você.
Essa perspectiva traz um problema: se os cirurgiões inserirem as informações em dois cérebros com as memórias apagadas? Se as informações forem inseridas na cabeça do Bush e do Lula, por exemplo, você estaria na Casa Branca ou no Palácio da Alvorada? Não há nada que dê embasamento para uma escolha sensata, pois uma mesma pessoa não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo.
No fim das contas, nenhuma tentativa de dar sentido à existência continuada através da passagem do tempo funciona. Você não é a mesma pessoa que começou a ler este artigo.
O tema do próximo post da série vai ser: há realmente um monitor na sua frente?
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